Um veículo da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) que
transportava 11 detentos do Fórum de Araruama para um complexo
penitenciário no Rio passava pela BR-101, no trecho da Niterói-Manilha,
quando foi surpreendido por 20 homens fortemente armados. Eles usaram
carros e dois caminhões para fechar a pista. Com toucas, coletes e pelo
menos dez fuzis, dispararam mais de 20 vezes na direção do veículo,
deixando um agente penitenciário morto. Segundo a polícia, a ação, em
junho, tinha como objetivo o resgate de um chefão do tráfico de um
conjunto de favelas em Itaboraí, que virou ponto estratégico para a
distribuição de drogas de uma das principais facções do Rio.
A
Seap fazia o transporte de Lindomar de Oliveira Brant, o Dodô, preso
desde 2004. Mesmo atrás das grades, ele dá as cartas no tráfico do
conjunto de favelas da Reta Velha, com movimentação financeira de R$ 1
milhão por mês, de acordo com cadernos com a contabilidade apreendidos
pelo 35º BPM, unidade que cuida do policiamento em Itaboraí. Segundo a
polícia, um faturamento administrado por contadores formados, que
explodiu graças a uma posição geográfica capaz de colocar uma favela de
uma cidade da região metropolitana com apenas 220 mil habitantes na rota
do tráfico no estado.
No acesso à Rodovia Amaral Peixoto
(RJ-106), traficantes na Reta Velha têm contato direto com a facção que
atua em São Paulo. E administram o “negócio” como uma espécie de firma,
com filiais e representantes em outras cidades. De acordo com a polícia,
a Reta Velha abastece com armas e entorpecentes a Região dos Lagos e
cidades omo Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito, Tanguá, Maricá e Nova
Friburgo.
Em Cachoeiras de Macacu, por exemplo, a 40 quilômetros
da favela, os representantes eram os irmãos Jorge e Rogério Gomes
Gandra, presos em maio pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São
Gonçalo, que começou a investigar a Reta Velha desde o começo do ano
passado, após a denúncia da existência de um cemitério clandestino onde
seriam enterrados os condenados pelo tribunal do tráfico.

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