O novo relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal
Federal), Luiz Fux, diz acreditar que a próxima fase de recursos do caso
será concluída no primeiro semestre de 2014.
O ministro afirmou que deve elaborar seu relatório e voto no processo em
dez dias e o julgamento da nova etapa de apelação deve durar de dez a
vinte dias.
Ele, porém, lembrou que só poderá começar a trabalhar após a superação
de três fases: a de publicação do resultado do julgamento encerrado em
setembro, a de apresentação dos novos recursos pelos réus, em 30 dias, e
a de manifestação do Ministério Público, em mais 30 dias.
Fux foi sorteado para ser o relator da etapa em que serão julgados os
recursos intitulados embargos infringentes. Terão direito a esse tipo de
apelação 12 réus condenados que conseguiram pelo menos quatro votos
favoráveis às suas teses de defesa no julgamento.
Indagado se a nova etapa do mensalão poderia ser concluída somente no
segundo semestre de 2014, no período eleitoral, Fux disse: "Para a época
da eleição, é um prazo muito delongado. Para o primeiro semestre é bem
mais factível".
O ministro explicou que a fase dos embargos infringentes deverá ser mais
curta que as anteriores do mensalão. "Esse é um recurso peculiar, que
vai confrontar as teses divergentes, não é um julgamento novo, da causa
toda. É um recurso adstrito à divergência", disse.
Segundo o magistrado, após a publicação do resultado da fase anterior do
julgamento já será possível iniciar o trabalho da relatoria, uma vez
que o documento permitirá identificar os pontos de divergência que serão
novamente analisados pelo STF.
"Só não dá para antever o quê os advogados vão trazer como fundamento", afirmou.
O ministro disse que pretende realizar entendimentos com os colegas
antes do início da nova fase para evitar discussões e atrasos.
"A minha tendência é a de fazer um julgamento previamente acordado com a
corte toda, quer sobre a metodologia, quer sobre o início das sessões.
Quero dialogar com todo mundo para que não haja questão de ordem [debate
sobre a forma do julgamento] ou embaraços", disse.
O ministro foi homenageado pelo IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo) na capital paulista ontem.
Em seu discurso, Fux atacou o excesso de recursos previstos nas leis do
país, entre eles os embargos infringentes. Em setembro, ele votou contra
a admissão desse tipo de apelação no STF.
O ministro também criticou o Congresso, que segundo ele não tem
"coragem" de debater temas polêmicos, como a descriminalização de
drogas, e deixa a decisão sobre esses assuntos para o Supremo.
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