Diarreia provocada por
doenças virais, infecção alimentar, complicações de outras doenças ou
alimentação inadequada foi a causa da morte de 461 crianças menores de 1
ano na Paraíba, de janeiro de 2008 até agosto deste ano.
Os dados são do Sistema
de Informação de Atenção Básica (Siab) do Ministério da Saúde (MS) e
mostram ainda que o número de vítimas tem aumentado nos últimos quatro
anos.
Em 2008 ocorreram 62
mortes, conforme os dados do Siab. O número caiu, em 2009, quando foram
registradas 55 mortes de crianças menores de um ano na Paraíba, voltou a
crescer no ano seguinte, com 80.
Em 2011, alcançou o
patamar de 98 mortes e em 2012, 106 óbitos. Com relação aos dados deste
ano, de janeiro até agosto, 60 crianças com idade inferior a um ano
morreram em decorrência de diarreia, contra 67 durante o mesmo período
do ano passado.
Conforme os dados do
Siab, João Pessoa foi o município paraibano que registrou o maior número
de óbitos de 2008 até o último mês de agosto, com o total de 96
vítimas. O município de Igaracy, no Sertão do Estado, aparece em segundo
na lista, com 48 crianças, seguido pelo município sertanejo de Santana
de Mangueira, que contabilizou 33 casos. A capital ainda lidera o
ranking deste ano e apresentou nove mortes.
Apesar das ações
voltadas para a melhoria do saneamento básico e assistência médica a
criança, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES), as
mortes de crianças menores de um ano por diarreia podem estar ligadas à
falta de aleitamento materno, controle da vacinação, por parte dos pais
ou responsáveis, além da alimentação errada dos bebês.
Foi o que aconteceu com o
filho de Elisama Maria Ferreira, que aos seis meses de vida sofreu com
diarreia. A mãe conta que amamentou a criança até os sete meses, mas por
volta dos cinco, o menino já gostava de alimentos mais pastosos, como
verduras, papinhas e feijão. Segundo Elisama, foi a mudança na
alimentação que fez o pequeno Eduardo sofrer com o problema.
“Desde novinho que ele
gostou de comer comidas além do leite. Como o feijão foi muito forte
para ele, acabou ficando com dor de barriga, mas não foi grave. Depois
disso, só passei a dar comidas mais pastosas quando ele estava com mais
de um ano, mas sempre sem gorduras”, lembra a mãe.
De acordo com a chefe do
Núcleo de Doenças Transmissíveis da SES, Anna Pachá, os óbitos
registrados como causados por diarreia são sempre investigados pelo
setor para identificar a causa do problema. Além disso, a criança com
menos de um ano de idade, assim como os idosos, estão na faixa de risco
para sofrer consequências mais sérias em decorrência da diarreia.
“Se a diarreia foi
causada por uma infecção alimentar ou bacteriológica, sempre
investigamos para saber a causa. Além disso, tem o fator preocupante do
rotavírus, que pode afetar uma criança que não foi vacinada, por
exemplo. Ainda temos as viroses que podem provocar diarreia ou a criança
ter chegado ao hospital com outra doença e também diarreia”, explicou.
SES
Segundo Anna Pachá,
quando o bebê ou a criança apresenta um quadro mais sério de diarreia,
as mães devem levar imediatamente ao hospital. No caso da capital, o
Hospital Arlinda Marques é o mais indicado. Conforme a representante da
SES, o tratamento da diarreia dependerá do que ocasionou o problema.
“A Secretaria de Saúde
tem feito um trabalho intenso com ações da Vigilância Epidemiológica,
Ambiental e o setor de DST/Aids para identificar e avaliar quais as
condições de saneamento dos municípios, sistema de tratamento de água e a
qualidade da água. Todos esses fatores são avaliados”, explicou Anna
Pachá.
Ainda segundo a
representante da SES, campanhas e orientações para conscientização do
aleitamento materno também são realizadas em todo o Estado nas Unidades
Básicas de Saúde e Centros de Referência.
Fonte: Jornal da Paraíba

Nenhum comentário:
Postar um comentário