“Me adiciona no Facebook” ou “me segue no Twitter”. Hoje, essas
frases são tão comuns de se escutar quanto “anota o meu telefone” já foi
um dia, principalmente entre os mais jovens. Segundo levantamento do
Ibope, em agosto 27,8 milhões de brasileiros com até 34 anos navegaram
por sites de relacionamento. Entre os que não participam, ainda existe
no país a questão do acesso à internet ser excludente, mas alguns, por
opção, preferem levar a vida desconectados.
— Em julho decidi sair do Facebook. O engraçado é
que o meu namoro terminou no mesmo dia, porque a gente usava a rede para
se comunicar — conta.
Marcelle diz não se arrepender da decisão.
Segundo ela, agora está bem mais próxima dos amigos. Em vez da
superficialidade de postagens e mensagens, ela precisa telefonar ou
marcar encontros para colocar o papo em dia. Porém, uma funcionalidade
do Facebook faz falta:
— Lembrar os aniversários dos amigos. Dos
mais próximos eu sei de cabeça, outros eu anotei na agenda, mas já
esqueci o aniversário de algumas pessoas.
O funcionário público
Dagoberto Heg, de 34 anos, só mantém contato pela internet por e-mail.
E, mesmo assim, porque é “necessário”. Facebook e Twitter não fazem
parte do vocabulário do jovem, que, nadando contra a sua geração,
prefere não expor sua vida aos curiosos de plantão.
— Até a minha
mãe tem Facebook. Por um lado é legal, conecta as pessoas, mas não é
porque alguém estudou comigo na quinta série que a gente tem algum
vínculo. Com os meus amigos eu mantenho um contato mais profundo — diz.
Uso de tecnologia gera status
Avesso
à tecnologia, Heg também não possui smartphone. O computador, usa “mais
do que gostaria”. Preocupado com a privacidade, principalmente após os
escândalos de espionagem que envolveram grandes empresas de tecnologia, o
jovem considera “estranho” o comportamento das pessoas de colocarem em
público informações pessoais.
— É assustador! O risco é muito grande e não compensa os benefícios.
Apesar
disso, reconhece algumas desvantagens da escolha de se manter isolado
virtualmente. A principal é ficar por fora de eventos culturais que são
divulgados apenas pelas redes sociais. A falta de um canal para manter
informados parentes distantes também é citada.
A administradora
Simone Vieira, de 36 anos, está passando por essa transição agora.
Cansada da “fofoca virtual”, ela resolveu encerrar sua conta no Facebook
no mês passado. Natural de Itapecerica, em Minas Gerais, ela teme
sentir falta do contato com a família, mas, ao menos até agora, está
gostando da sensação de liberdade.
— A primeira coisa que eu fazia
quando ligava o computador era entrar no Facebook. Agora estou mais
leve, tranquila. Dedico mais tempo à leitura, o que eu não fazia muito.
O
Brasil é o segundo país do mundo em número de usuários do Facebook, com
47 milhões de internautas que acessam a rede todos os dias, atrás
apenas dos EUA, onde a rede social foi criada. O doutor em Antropologia
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e consultor de mídias
sociais Jonatas Dornelles diz ser difícil encontrar uma pessoa que tenha
acesso a computador e internet e que não esteja em redes sociais. Em
suas pesquisas, ele percebeu que usar mídias sociais gera status; mas
abrir mão delas também é uma forma de afirmação social:
— Não é só
porque lançam um celular mais moderno que a pessoa o troca a cada seis
meses. Existe um status em usar um modelo ou marca que determinadas
pessoas estão utilizando. Em nossa cultura, fortemente ligada à
tecnologia, a escolha de alguma rede social se transforma em um
simbolismo identificável.
Dornelles explica que as redes sociais
criaram uma nova forma de sociabilidade e abrir mão dessa ferramenta
pode dificultar o processo de interação com outras pessoas. Desde ficar
sem ver uma foto, não participar de uma discussão ou perder um evento,
as desvantagens são muitas.

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