De 2010 até agosto deste
ano, 680 mulheres morreram vítimas de câncer de mama na Paraíba. Os
dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e revelam ainda que
somente este ano ocorreram 57 óbitos em decorrência da doença.
Para que as mulheres
identifiquem o problema mais cedo e aumentem as chances de cura, além
das ações desenvolvidas pelos governos municipal e estadual, durante
este mês será realizada a campanha 'Outubro Rosa', no Estado.
As estimativas do
Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que 640 mulheres receberam o
diagnóstico de câncer de mama, em 2012. Segundo o instituto, a taxa de
incidência da doença na Paraíba foi de 32,41 para cada 100 mil mulheres.
Durante o mesmo período,
em João Pessoa, foram registrados 250 casos, com uma taxa de 63,33.
Para diminuir esses números, a campanha que começa hoje chamará a
atenção das mulheres sobre a importância da mamografia.
Foi por meio desse
procedimento simples e do autoexame que a professora Maria de Fátima
descobriu, há 1 ano, que estava com um nódulo em um dos seios. Ela conta
que o diagnóstico do câncer só foi comprovado com a biópsia, mas afirma
que a realização da mamografias regularmente ajudou a identificar a
doença ainda na fase inicial.
“Mesmo antes de aparecer
a doença, eu sempre fazia o autoexame e os exames periódicos. Por isso
identifiquei rápido. Receber o diagnóstico do câncer não é nada
agradável, mas com o apoio da família e do grupo “Amigos do Peito”,
estou vencendo a doença e hoje estou aqui”, disse Fátima.
No caso da professora,
foi preciso fazer a cirurgia para a retirada da mama que estava
infectada com câncer. No entanto, esse procedimento mais drástico pode
ser evitado se o câncer for diagnosticado precocemente. “A retirada da
mama dependerá do tipo de câncer encontrado, que pode ser menos ou mais
agressivo. Se o câncer estiver na fase in situ (em apenas um local da
mama), retira-se apenas um quadrante do seio e a mulher terá 98% chances
de cura, sem precisar passar por radioterapia ou quimioterapia”,
explicou a médica mastologista Joana Marisa Barros.
Mas a médica lamenta que
a falta de procura pela mamografia contribui para que a maioria das
pacientes só descubra a doença em fase avançada. “Infelizmente, na
realidade do nosso país e da Paraíba, 70% dos tumores só são
diagnosticados mais tardiamente, o que oferece mais riscos para a
retirada da mama. Isso tudo tem a ver com a falta de conscientização das
pacientes. Se as mulheres entenderem a importância da mamografia na
vida delas, farão o exame. Mas isso tem que ser um trabalho conjunto com
as equipes das Unidades de Saúde da Família”, alertou a mastologista.
MAMÓGRAFOS
Na Paraíba, 19
mamógrafos estão disponíveis para as pacientes usuárias do Sistema Único
de Saúde (SUS), segundo informações da SES. Deste total, quatro
aparelhos estão em dois hospitais e uma clínica na capital. Em Campina
Grande também há a mesma quantidade.
A coordenadora da Saúde
da Mulher do município de João Pessoa, Tânia Lucena, informou que a
procura por mamografia é pequena na capital e que sobram exames. “Nós
oferecemos três mil mamografias por mês. Se a mulher precisar de um
exame desses no prazo de 48 horas, nós fazemos. Mas, acontece que as
pessoas não estão procurando. As mulheres são encaminhadas por equipes
das Atenção Básica à Saúde e não tem lista de espera, porque tem oferta
de exames”, explicou.
Em contato com a
Secretaria de Estado da Saúde (SES) foi possível obter informações sobre
as ações realizados pelo governo para prevenir o câncer de mama. No
entanto, nenhum representante do órgão quis comentar o assunto. A
assessoria de imprensa recomendou a reportagem a procurar uma das
coordenadoras de Saúde da Mulher, Charlene Pereira. Ela, por sua vez,
pediu que os questionamentos fossem repassados por e-mail, mas, até o
fechamento desta edição, não respondeu à mensagem.
Fonte: Jornal da Paraíba

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